De domingo até ontem, a Companhia Docas do Pará (CDP) contabilizou a retirada de cerca de 300 carcaças de bois que estavam no navio que naufragou no último dia 3, no Porto de Vila do Conde, município de Barcarena.
O trabalho, por enquanto, está sendo realizado apenas pela CDP com o apoio da Petrobras Transporte S.A (Transpetro), uma vez que a empresa Mammoet Salvage, contratada pela seguradora do navio para retirar a carga do fundo do rio, ainda não concluiu o plano de ação para a área do acidente.
Enquanto isso, a CDP está retirando o gado que boiou para a superfície e limpando as praias, que na última segunda-feira amanheceram tomadas de bois conduzidos pelo rio Pará. O incidente ocorreu devido ao rompimento da barreira de contenção que, na opinião da CDP, foi provocada pela ausência de acompanhamento da empresa Centro de Defesa Ambiental (CDA), contratada da Transpetro para retirar o óleo do local. “A CDA se ausentou do porto no último domingo permitindo que os bois forçassem a barreira que se rompeu sem o acompanhamento que o caso requer”, informou o presidente da CDP, Parsifal Pontes. Os 120 mil litros de óleo vazados no momento do naufrágio já foram retirados pela empresa Cidade Limpa.
Ontem, após reunião entre a CDP, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Ministério Público Estadual e lideranças comunitárias do município, ficou decidido que a CDP vai disponibilizar uma área no próprio porto para servir de destino final das carcaças. A decisão ocorreu depois do bloqueio, pelos moradores, da estrada que dava acesso à área contratada anteriormente para a incineração dos bois. Depois de muita negociação, ficou acertado o desbloqueio da via e a remoção dos bois para o novo local. Segundo Pontes, a carcaça deverá ser enterrada.
Na próxima sexta-feira, a Mammoet Salvage deve começar finalmente a operação de retirada de 600 mil litros de óleo que ainda se encontram nos tanques do navio afundado, assim como a remoção dos 4 mil bois que ainda estão dentro da embarcação. A previsão é que todo o trabalho, incluindo a retirada do navio, seja concluído em 4 meses. A empresa trabalha com a possibilidade de abandonar o navio em alto mar após a retirada da carga.
MORADORES: A maior preocupação é com a situação dos moradores que tiveram a atividade econômica prejudicada após o acidente. Cerca de duas mil pessoas, dentre pequenos comerciantes e pescadores, estão sem renda desde o dia do naufrágio. As instituições envolvidas no trabalho distribuíram máscaras, cestas básicas e destinaram alojamentos para as pessoas mais afetadas pelo mau cheiro que tomou conta das praias. Questionado sobre a demora na retirada dos bois, Pontes afirma que a inexperiência com acidentes desta proporção foi o maior empecilho para a agilização dos trabalhos. “Ninguém sabia tratar essa questão, pois trata-se de um acidente inédito no mundo”, justificou.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)

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