Uma família de Mogi das Cruzes descobriu nesta sexta-feira (4), ao sair do cemitério, que tinha enterrado o corpo errado. Os parentes se reuniram durante a manhã para enterrar Hélio do Carmo Silva, que morreu de Covid-19 nesta quinta-feira (3), no Cemitério São Salvador, mas descobriram logo depois que na verdade tinham sepultado Ana Paula Silva Souza, de 42 anos. A moradora de Suzano tinha falecido da mesma doença, no mesmo dia e na mesma unidade de saúde, o Hospital Municipal de Mogi. Hudson Barbieri, filho de Hélio, lamenta porque precisará reviver a despedida do pai. Para ele, a confusão é resultado da falha no procedimento e diálogo entre o hospital e a funerária.

"Perder um ente querido já é difícil e você ter que reviver esse capítulo novamente é muito triste, mas a gente tem que fazer. Infelizmente, é um processo que nós fomos obrigados a fazer pelo descaso que duas empresas, um órgão público e uma empresa privada, não souberam se comunicar". A administração do Hospital Municipal afirma que lamenta o ocorrido e que a troca ocorreu por um erro da funerária, mas disse que abrirá sindicância e que revisará procedimentos (veja nota na íntegra abaixo).

Troca: O caso só foi descoberto porque um funcionário da funerária contratada pela família de Ana não encontrou o corpo dela para ser levado ao cemitério, como relata o ex-marido André Mario dos Santos. "A funerária ligou para nós e perguntou se nós tínhamos feito o reconhecimento do corpo dela. Meu filho fez o reconhecimento e disse que sim. Aí a funerária falou: ‘então vocês procurem a direção do hospital, porque nós chegamos lá para retirar o corpo da Ana Paula para trazer, para fazer o sepultamento, e ela já foi enterrada’".

Ele foi até o hospital em busca de informações. No local, recebeu a confirmação de que a mulher já havia sido sepultada por uma outra família no Cemitério São Salvador, por volta das 9h30, e que seria necessário aguardar a exumação. "Eles disseram para nós lá que levava de uma a duas horas para fazer o processo. Após uma hora lá, eu passei a ligar para um, para outo, para poder saber. Nós que tivemos que correr atrás das informações, porque o hospital não deu o menor suporte para nós nessa questão".

A família de Hélio já estava de saída do cemitério quando foi informada sobre a troca dos corpos, como relata o filho Hudson Barbieri. O pai dele morreu após passar 14 dias internado e a situação, em meio a um momento tão difícil, gera revolta. "No horário, estávamos todos aqui, familiares e amigos, seguindo as normas de orientação, com a quantidade [de pessoas] estipulada por eles. Simplesmente, o carro do convênio chegou, tirou o corpo do meu pai e sepultou. Fizemos todos os procedimentos", relembra.

"Na saída do cemitério nós fomos comunicados sobre a troca do corpo. Desde então, começamos a ir atrás dos familiares da dona Ana, que foi enterrada equivocadamente. Entramos em contato com o hospital, que foi responsável por essa negligência e acionamos também o convênio responsável".
Sem informações concretas do que deveria fazer, Diogo Gregório, filho de Ana Paula, foi até a porta do cemitério. Lá conversou com um funcionário que, segundo ele, não deu nenhuma orientação e ainda chamou a polícia.

"Eu falei: ‘amigão, minha mãe foi enterrada por erro aqui, só quero resolver para poder enterrar ela’. Não discuti, nem nada. O cara só falou: ‘é 13h30 que vai tirar a exumação’ e entrou para dentro. Eu falei: ‘amigão, você não vai me falar nada, bichão?’, do jeito que eu falo. Ele não saiu mais, ele não me deu as caras. Ele virou as costas, como se estivesse normal", diz.

"Um guarda municipal me deu toda a atenção que eu precisava. Aí sim, quando chegou a polícia, que eles chamaram com medo de eu pular lá, foram me dar uma satisfação. Só porque chegou a polícia, veio o cara da funerária, que levou minha mãe. Ele abriu o portão para todos os policiais, mas ele não falou comigo", completa.

Os familiares das vítimas foram informados de que o hospital fará um boletim de ocorrência, que será encaminhado à Justiça para que, só então, a exumação do corpo possa ser feita. Não há previsão de quando Ana Paula poderá ser enterrada pela família.

"Eu já estou confortado que minha mãe se foi, que eu não vou mais ver ela. Sei que lá de cima ela está olhando para nós, mas eu só quero dar um enterro digno para a minha mãe. Acho que ela não merecia isso depois da morte não. A família já está sofrendo muito", diz Diogo. "A pergunta é: com quantos mais isso aconteceu? Porque os corpos, agora, saem lacrados do hospital. Quantas mais famílias passaram por isso e, até hoje, não estão sabendo? É uma pergunta difícil de responder, porque se eles trabalham com protocolo, acabaram de provar que o protocolo é falho", desabafa André.

O Hospital Municipal de Mogi das Cruzes informou que "lamenta que as famílias dos pacientes que vieram a óbito na unidade estejam passando por essa situação desgastante em um momento de tanta dor e tristeza".

Em nota, a unidade também afirmou que: "Esclarecemos que não houve troca de corpos dentro do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes e que o protocolo utilizado foi seguido com rigor. As próprias famílias realizaram o reconhecimento e confirmaram as identificações, que são presas tanto no corpo quanto no saco funerário.

A falha que ocasionou todo esse desgaste aos familiares ocorreu quando a funerária contratada por uma das famílias retirou o corpo errado. Apesar das identificações claras e da orientação pelo funcionário do Hospital que abriu o Morgue para a remoção do corpo, o erro foi cometido, sob a justificativa posterior de que se tratava de um funcionário novo da funerária, ainda inexperiente".

Além disso, a unidade hospitalar disse que "implantará sistema de conferência adicional, a fim de garantir que as funerárias contratadas pelas famílias não cometam esse tipo de erro novamente. O hospital afirmou que está registrando boletim de ocorrência e que "será aberta sindicância para averiguar todos os processos e ouvir as pessoas envolvidas no caso".

Fonte: G1


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