MPF denuncia à Justiça acusados por dupla tentativa de homicídio contra
servidores do Ibama em Placas (PA)

Principais acusados podem ser punidos com quase 40 anos de prisão

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal seis
acusados por uma série de crimes cometidos em tentativas de impedir
fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) em Placas, no oeste do Pará, em 15 de julho
do ano passado. Na ocasião, madeireiros ilegais e seus cúmplices
tentaram atear fogo em dois servidores e em um veículo da autarquia,
tentaram bloquear um caminhão do Exército e ameaçaram incendiá-lo, e
queimaram pontes, deixando a cidade isolada.

Os acusados Cristiano de Sousa Paiva, vulgo Metralha, e Wesley Pádua de
Oliveira, conhecido como Ceguinho, foram denunciados por dupla tentativa
de homicídio qualificado, com emprego de fogo, mediante emboscada e para
assegurar a ocultação de outro crime. Eles também foram acusados por
associação criminosa, e por dificultar fiscalização ambiental. No total,
esses crimes podem acarretar até 36 anos de prisão. Wesley Pádua de
Oliveira foi denunciado, ainda, por posse ilegal de arma, crime punível
com até 3 anos de prisão. Foram denunciados por associação criminosa e
por dificultar a fiscalização ambiental, ainda, os acusados Dhavid
Rafael Oliveira Vieira, Mezaque Conceição de Jesus e Gedelson Viana, e
Edileuza Pereira de Oliveira foi denunciada por associação criminosa. As
denúncias foram oferecidas no último dia 2.

Atentado ao Ibama – Segundo as investigações, apesar de a serraria Nova
Aliança, de Wesley Pádua de Oliveira, estar sob vários embargos do Ibama
e de ter sido lacrada, no dia da fiscalização foi detectado que os
lacres tinham sido rompidos e que a empresa estava funcionando
normalmente.

Na madeireira houve um início de tensão e os fiscais foram acuados por
um grupo que se encontrava na empresa. Os dois servidores decidiram ir
buscar apoio do Exército. Ao sair da empresa, a viatura do Ibama foi
perseguida pelo grupo, que utilizava motocicletas e um caminhão
carregado com madeira.

Dirigido por Cristiano de Sousa Paiva, o caminhão emboscou o veículo do
Ibama, fechando o caminho e impedindo a passagem. Em seguida, Metralha
desceu da boleia, pegou galões de combustível e pneus velhos na
carroceria do caminhão e passou a derramar o líquido no veículo da
autarquia ambiental, que só não foi incendiado porque os fiscais
conseguiram manobrá-lo rapidamente e fugir.

Mais violência – Mesmo após o Ibama já ter conseguido apoio do Exército,
o grupo da madeireira de Ceguinho não se intimidou. Segundo depoimentos
aos investigadores, por três vezes Metralha jogou o caminhão carregado
de madeira para cima do caminhão do Exército em trânsito, na tentativa
de fazer com que o veículo militar saísse de uma rodovia.

Enquanto os servidores do Ibama estavam depondo na delegacia de polícia
de Placas, o grupo da serraria voltou a ameaçar atear fogo no veículo do
Ibama e, desta vez, também no caminhão do Exército. Um dos ameaçadores
chegou ao local com uma caminhonete com vários galões de combustível.
Foi preciso que os militares engatilhassem suas armas para evitar que o
grupo se aproximasse do caminhão do Exército.

Os servidores do Ibama permaneceram sitiados na delegacia das 11h às
23h, e só conseguiram deixar o local após negociação com uma comissão de
moradores. Durante o dia, as pontes de madeira de duas saídas da cidade
foram queimadas.

“Cristiano capitaneia, na região, verdadeira resistência às ações
fiscalizatórias realizadas pelo Ibama, sendo incitador de ações
violentas. Já foi autuado anteriormente, e suas ações importaram, sem
dúvidas, em forte clima de tensão diante da violência perpetrada com
auxílio de terceiros, o que pode ser indicativo de existência de
verdadeira associação criminosa em plena ação na região”, destaca o MPF
na denúncia.

Processo 1003827-67.2020.4.01.3902

Consulta processual: http://pje1g.trf1.jus.br/pje/ConsultaPublica

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